Esses dias vi uma notícia (torcendo para ser uma Fake News - mas não é), que trata da implementação do Ensino Médio a Distância (40%). E fiquei pensando... Estou defendendo o ensino híbrido como forma de melhoria à educação, então, porque essa notícia não desceu legal? Deveria ser um motivo a ser comemorado... será?
É importante separar a ideia do ensino híbrido, suas modalidades, potencialidades e tudo mais, das propostas de governo. Isso porque, no nosso país a educação ainda é vista como gasto e não investimento (esse discurso muda em época de eleição). Então, quando vejo notícias que visam colocar parte do ensino médio a distância, penso que isso implica em diversos fatores, alguns positivos, outros nem tanto:
- Ensino a distância traz flexibilidade para quem precisa trabalhar. Sim, o trabalhador que precisa terminar o ensino médio pode otimizar seu tempo para o estudo, uma vez que pode ir direto para casa e estudar do seu smartphone.
- Ajuda em regiões do nosso país em que ir a escola demanda travessia de rios, estradas perigosas, e trajetos que duram mais de 2 horas. (ajuda, se nesses locais existir conexão a Internet e ela estiver disponível a essa população, que em geral é carente);
- Não consigo lembrar de outras, mas deve ter.
Agora o que não é nada legal é substituir, trocar, colocar no lugar do ensino presencial o ensino a distância. Isso alija o ensino, uma vez que:
- Aprendemos quando trocamos ideias, debatemos com colegas e com o professor;
- Aprendemos quando modelamos situações, experienciamos, testamos hipóteses e submetemos estas a apreciação do grupo;
- Aprendemos quando diversificamos as maneiras de contato com o conteúdo;
Assim, essa notícia não me trouxe alegria, só preocupação. Isso porque nossa educação a distância precisa caminhar muito, amadurecer em diversos aspectos (inclusive da postura do aluno da educação a distância). Ao substituir (se for o que parece ser) parte do ensino médio pela modalidade a distância, estaremos formando jovens com conteúdo mais superficial e com menor entendimento do que até agora. Tudo isso em nome da economia (economia???), pois será mais "barato" manter plataformas de aprendizagem com tutores par "n" alunos do que professores em tempo presencial, com a limitação do tamanho das salas de aula (o Moodle por outro lado, suporta mais de 100 alunos em uma turma).
Enfim, este é meu desabafo e espero realmente que se estas medidas de fato ocorrerem, que sejam pensadas dentro da realidade brasileira e com um diferencial que promova uma aprendizagem significativa destes 40% a distância.

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